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sábado, 10 de julho de 2021

A estátua de Bronze - Um conto sobre uma pessoa presenciando algo inimaginável




Olá pessoas, turu bom? e.e


Como eu falei no post anterior, eu não estive postando por aqui devido à falta de inspiração e força de vontade, pois eu funciono assim. Eventualmente eu falarei melhor disso em outro post. Eu até pensei na época em postar algo sobre um meio de você ganhar dinheiro pra gastar na Google Play de graça, porém eu pensei em algo muito legal para escrever, inspirado nos contos de H.P. Lovecraft, que é um dos escritores mais influentes dos últimos tempos (apesar de ser um maldito racista), com várias ficções baseadas em seus pesadelos e textos, e uma característica interessante é o fato de que nos contos, o protagonista acaba caindo na insanidade por ter encontrado ou descoberto algo além de sua compreensão, e ao saber que ninguém iria acreditar e também não saber do fim que aquilo levaria, ele entra em paranoia. Eu acabei me sentindo muito atraído com esse tema, pois sempre que eu leio algo do tipo, acabo me perdendo por horas pensando sobre isso, me perguntando em como seria a mente do Lovecraft, e o que se passou na cabeça dele para criar obras assim, e assim, eu, numa vibe meio "Challenge Accepted" e experiência de um total de 1 ficção escrita e finalizada (que você pode ler aqui no blog, no Wattpad ou no Medium), decidi me pôr à prova e escrever um tipo de rascunho sobre esse tema, dando a minha visão de mundo e minhas inspirações para criar algo similar, porém com meu toque. Sendo assim, lhes apresento uma nova ficção de autoria minha, intitulada "A estátua de Bronze", que mostra algo nesses moldes. Eu chamo de ficção, mas é algo como "Os primeiros capítulos de uma ficção", pois se eu demorei pra escrever só isso, imagina pra escrever uma história inteira '-' Confesso que estou escrevendo isso há um tempo (alguns meses, se você tirar os hiatos por falta de disposição e bloqueio de escritor), e nunca fico verdadeiramente satisfeito com o resultado, já que eu sou comumente relacionado com a confusão em pessoa por nunca me decidir em algo, além do perfeccionismo que faz com que toda vez que eu venho terminar de escrever essa ficção, eu acabo retocando alguma coisa além do que eu previa. Sendo assim, eu sempre mudo uma coisa aqui e ali, e nunca termino essa caraia Ò.Ò Dessa vez, finalmente, eu "terminei" o texto e vocês poderão ler o resultado final disso que eu chamaria de meu maior desafio como aspirante a escritor, e realmente espero que vocês gostem e que deixem críticas construtivas para que eu possa criar obras melhores no futuro. Boa leitura ^^


"Saí de minha casa. O motivo? Nenhum. Aparentemente, eu só queria caminhar por essas ruas à noite. Eu não costumo fazer isso, e se eu saio à noite, é com meu melhor amigo, e nós saímos para cair na farra, ou como nós chamamos, "criar histórias para contar", mas dessa vez não: é só eu e o destino à minha frente me levando onde ele quiser. Eu entendo que à noite as ruas são perigosas - sempre foram - mas eu queria respirar esse ar mais gelado e sentir essa leve brisa, mesmo com o clima bem quente e seco, típico do verão. São Paulo é um mundo novo à noite. Luzes, sons das danceterias, carros, cães latindo, som de fritura do carrinho de lanches, cheiro de comida no ar, gente conversando, bebendo, etc... Eu amo isso tudo, eu amo essa cidade, mas dessa vez, eu optei por ir no Maripiri, um parque mais afastado, à pé mesmo, pois a noite está agradável e eu poderia ir onde quisesse sem me importar com o horário. Então eu fui.

Já não se ouvia mais os sons de antes, agora eram só sons de carros passando na avenida e as luzes da cidade, dando um charme a mais naquilo tudo - um tom melancólico, mas vivo. "Isso me lembra Jazz", pensei. "Quando eu voltar para casa, vou tomar alguma coisa enquanto relaxo ao som de um bom Jazz instrumental, mas por agora, só tenho isso" e tiro meu maço do bom e velho cigarro barato. Pego um, levo à minha boca, pego o isqueiro, ascendo a ponta, puxo o ar, seguro o ar quente no pulmão, solto e relaxo. Por mais que fumar não faça bem à saúde, me ajuda muito com minhas crises de ansiedade, pois sinto que quando eu exalo o ar pra fora de meus pulmões, meus problemas vão embora junto e minha mente fica limpa, me ajudando a pensar. Obviamente, o gosto do tabaco é de meu agrado, também.

Nesse ponto, eu já estava chegando no tal parque, que estava aberto e bem iluminado, mas não tinha nenhuma alma viva ali, era só eu e meus pensamentos. Bom, acredito que é até óbvio que lugares como parques não são frequentados à noite, afinal há coisas mais interessantes para fazer essa hora, fora o medo de ser assaltado ou emboscado, coisa que acontece em alguns parques de São Paulo durante a noite, mas quer saber? Eu não estava nem aí, o clima estava perfeito, eu estava relaxando e não pretendia interromper esse momento por causa de um medo tão fútil nos dias atuais, já que você pode ser uma vítima em qualquer lugar e a qualquer hora. "Qual é a chance de alguma coisa acontecer comigo esta noite?", pensei. Ter vindo essa hora tinha sido uma ótima escolha, pois pude observar com calma todas as atrações: O lago, os campos de futebol, a pista de skate, os postes iluminando os arredores, os arbustos... Enfim, tudo estava numa harmonia indescritível, e eu amei aquilo.

Ao me adentrar ainda mais naquele parque, algo me deixou inquieto por alguns segundos: havia uma espécie de pedestal com uma estátua em cima, que aparentava ser feita de bronze, porém este já estava quase que totalmente oxidado, tendo em vista a cor marrom esverdeada. A estátua devia ter uns dez metros de altura e não aparentava estar ali antes, pois com essa altura eu já teria visto ela antes mesmo de entrar no parque. A estátua representava uma pessoa nua, porém sem partes genitais. Em sua cabeça, não havia nariz e o buraco dos olhos eram feitos de um material totalmente escuro. A cabeça da estátua possuía feições humanas, porém também tinha guelras atrás dos ouvidos e uma espécie de crista que aparentava ser uma cartilagem de verdade, que ia da cabeça até a metade das costas da estátua. Aquilo era bizarro demais. "Acho que as pessoas não devem vir muito aqui", presumi, afinal a estátua era estranha e com certeza deve ter espantado muitas pessoas ou pelo menos feito alguma criança chorar. Eu senti uma curiosidade enorme por essa estátua, afinal eu sempre gostei de coisas diferentes do habitual e essa estátua era perfeita nesse sentido. Decidi na hora que iria voltar mais vezes lá. E assim fiz, sempre indo de madrugada e fumando um cigarro no parque que sempre permaneceu vazio àquela hora da noite.

Certo dia, eu havia comentado com meu amigo Pedro sobre o parque e a estátua. Ele gosta de se reunir comigo de vez em quando para contar as fofocas da vida dele, e também jogarmos conversa fora. É uma das poucas formas de nos reunirmos agora que nos formamos, e eu aprecio isso. Então ele me convidou para nos encontrarmos num bar do centro depois do horário de expediente para falar sobre isso. Chegando lá, o sujeito já estava em sua segunda garrafa de cerveja.
- Você está ficando maluco, Gabriel. Nunca vi essa estátua no Maripiri! Que cigarro é esse que você fuma quando vai lá? Eu quero um trago disso - disse ele, enquanto gargalhava alto. 
 - Tô te falando, cara, foi muito estranho. Eu até tive um pesadelo com aquela estátua um dia desses.
 "Bem, se você ainda estiver com medo, pode ir dormir na minha casa comigo", disse ele, como que jogando um verde para cima de mim. "Só não posso te garantir que não vai rolar uma mão boba aqui e ali". Desviei o olhar. Ele sabe que eu fico sem graça nesse tipo de situação. "Valeu a tentativa. Apenas te falo uma coisa: Você não deveria mexer com o que você não conhece", disse o maldito, antes de dar um gole em sua cerveja. "Tá bom, espertão. E você está bêbado", disse eu. Conversamos sobre outros casos de nossas vidas, incluindo uma fofoca dele sobre ter descoberto que um estagiário do trabalho dele era gay e o sujeito não tinha saído do armário ainda, entre outras coisas. Nos despedimos e eu voltei pra minha casa.

Banho tomado, cigarro fumado, na cama deitado, estava apenas pensando nas palavras de Pedro. "Pessimista", resmunguei. Se ele sequer tinha visto a estátua, por que então ele me disse aquilo? Ele se preocupa demais comigo. Ou talvez eu apenas não seja um bom amigo. Pensando nessas coisas, meus olhos começaram a ficar pesados, e as piscadas começaram a ficar mais longas, até que eventualmente, quando abro meus olhos, eu percebo que fui parar num lugar que parecia ser uma mistura de fundo do mar com o espaço, mas eu conseguia respirar. A escuridão era total, exceto por vários pontos de luz à distância, que ao forçar a visão, evidenciavam ser vários sóis. Ao tentar mexer o corpo, sentia uma resistência, como se o vácuo tivesse dado lugar à algo que não posso ver, mas posso sentir. Também tomei um susto com dois pontos bem grandes que estavam à minha frente, e estes eram mais escuros do que a própria escurão à minha volta. Os pontos escuros eram os olhos da estátua. "Aquela mesma estátua do parque!", pensei. Ela estava de pé, porém numa posição de dormência, como se estivesse descansando. "Você não deveria ter notado minha existência. Isso não deveria acontecer", disse uma voz que ocupou todo o meu redor. Imediatamente, eu entendi que a voz era da estátua, que continuava na mesma posição de antes. Subitamente, ela começou a emitir barulhos que se assemelhavam a um animal com dor, e em seguida, senti uma enxurrada de pensamentos tomando minha cabeça, com visões tenebrosas de uma realidade que se assemelhava à nossa, onde a civilização observava sua ruína sem fazer nada, igual um formigueiro sendo pisoteado, sem poder nenhum. O meio ambiente estava acabado e em todos os lugares, haviam gases tóxicos que saíam do chão. O pânico tomava conta de tudo e a única coisa que parecia estar calmo naquela visão era a própria estátua, que adentrou minha mente e apenas observava toda a destruição com um olhar vazio, como se ela já tivesse visto aquilo antes. De repente, algo chamou a atenção da estátua, que a essa altura já não deveria mais ser chamada de estátua, pois eu estava completamente convencido de que aquilo era algo vivo. A criatura então começou a fazer outro som, mas ainda semelhante a um animal com dor. Tentei descobrir o que tinha causado a mudança do comportamento da criatura e fiquei horrorizado ao reparar que o meu melhor amigo, Pedro, estava ali no meio do caos. A criatura então começou a se mover e rapidamente foi na direção de Pedro, que olhou de volta pra mim e também ficou em choque. A criatura se aproximou rapidamente de Pedro, porém antes de conseguir encostar nele, acabou dando um urro de dor e um feixe escuro saiu do corpo dela e veio até minha direção, me acertando em cheio. Apesar do susto, não senti dor alguma. Percebi que a criatura começou lentamente a se tornar apenas fumaça, mas não antes de gritar o nome "Pedro" e fixar os olhos em mim. Pouco a pouco, a criatura foi deixando de existir e novamente comecei a me sentir cansado, piscando lentamente até que quando abro os olhos, percebo que estou em minha cama. Comecei a sentir algo estranho no meu corpo. Eu estava me sentindo um pouco mais pesado, e um pouco mais indeciso também. Olhei o relógio, era 5:58. Respirei fundo e aceitei que isso foi só um sonho. Levantei para mais um dia de trabalho. Me olhei no espelho do banheiro. "Que viagem foi essa?", pensei enquanto ria. Tomei banho, me arrumei, tomei um café da manhã e fui trabalhar.

Após uma semana, a sensação estranha no meu corpo passou, e eu decidi voltar ao parque Maripiri. Novamente era noite, e o parque estava vazio. Eu achei que eu conseguiria achar a estátua facilmente, porém o lugar mais parecido com o que eu conseguia me lembrar não possuía nenhuma estátua. No lugar, havia uma placa de "Em manutenção". Aceitei que a estátua não estava mais lá. Não importa se foi algum delírio meu, ou se a estátua existiu porém foi removida do parque, eu finalmente poderia seguir em frente com minha vida, sem me preocupar com isso. "Que alívio", pensei. Decidi mandar uma mensagem pro meu amigo pelo celular. "Pedro, fui no parque hoje e não achei a tal estátua lá. Caso encerrado, creio eu". Mensagem enviada. Chegando em casa, olho meu celular e reparo que a mensagem não foi nem entregue. "Esse maldito deve ter quebrado o celular de novo", pensei.

 

No dia seguinte, decidi ir na casa de Pedro para conversar e saber o motivo das mensagens não terem sido nem entregues. Quem me recebe na porta é a mãe de Pedro, Cecília, que me abraça bem forte e começa a chorar imediatamente: 
  - Gabriel, que bom que você veio! 
  - Olá, dona Cecília! Tá tudo bem?
  - Bem, o Pedro está há 6 dias sem voltar pra casa, mas tenho certeza de que você sabe onde ele está, né? - Disse ela, enquanto se esforçava para sorrir.
Nesse momento, fiquei paralisado com o que dona Cecília tinha dito. Ao ver a minha reação, ela voltou a chorar, ainda mais desesperada.
 - Dona Cecília, eu não sabia disso. Eu vim aqui justamente porque quando mandei mensagem pra ele, elas nem foram entregues no celular dele.
 - Meu Deus, meu filho! Onde ele deve estar, Gabriel? Quando você viu ele na última vez? 
  - Foi semana passada, quando nos encontramos no bar do Príncipe, do lado do campo de futebol. 
  - Aquele dia, ele não voltou pra casa. Ele tinha me falado que estava com vontade de dar uma volta e iria voltar mais tarde... 
Tendo ouvido aquilo, avisei dona Cecília de que talvez eu soubesse onde ele estava, e que iria procurar por ele. Nos despedimos e eu saí correndo em direção ao parque Maripiri.

 

Enquanto corria, comecei a me sentir ligeiramente paranoico, admitindo que talvez tudo pudesse estar ligado: A estátua, o sonho e Pedro. Era loucura, mas também era a única explicação. Cheguei no parque. Corri até o lugar que eu recordava estar a já ausente estátua. Estava igual à última vez que vi. Decidir dar uma volta ao redor do pedestal onde estava a estátua, para ver se achava alguma coisa, qualquer coisa, que pudesse me ajudar a achar meu melhor amigo. Ao passar por certo ângulo, reparei em algo estranho no pedestal. Era como se fosse uma passagem, mas que você só enxergava a partir de uma determinada perspectiva. Essa passagem era totalmente branca fosca, de forma que eu não conseguia ver nada que pudesse estar do outro lado, a não ser que eu entrasse nela. "Que beleza!", pensei ironicamente. "As coisas estão ficando cada vez mais bizarras e perigosas". Pensei no meu amigo, e senti que talvez essa passagem pudesse me trazer alguma resposta. Decidi que iria tocar na passagem, independente do quão irracional essa decisão seja. Ao encostar a ponta de meus dedos na passagem, meu bolso começou a vibrar. E vibrar muito. Quando peguei o celular, fiquei paralisado: Haviam 47 novas mensagens de Pedro, desde o último dia que nos vimos, até algumas horas atrás. Essa passagem me permitiu ter um contato com Pedro. "Finalmente!", pensei. Eu estava decidido: eu teria que adentrar esta passagem e ver com meus próprios olhos o que me esperava, e com certeza iria encontrar meu melhor amigo. Uma voz dentro de mim tentava me dizer para eu ignorar isso tudo e voltar a viver normalmente, mas eu ignorei, pois senti que estava no caminho certo, e que alguma coisa grande estava para acontecer.

 

E então eu entrei na passagem."

sábado, 9 de junho de 2018

Os céus me odeiam - Um conto para fazer você pensar sobre sua vida







Agora aqui estou eu, pensando na vida... Vida, o que é isso? Você nasce para quê? O que te motiva? O que te move? O que te faz seguir em frente? Bom, eu irei responder por mim mesmo: Nada. Nada me motiva, nada me move, nada me faz seguir em frente. Bom, pelo menos agora essa é a resposta, pois um mês atrás eu ainda tinha algumas motivações, ainda tinha alguma coisa que me fazia seguir em frente: Meus amigos e meus pais. Eu queria ser um orgulho para todos eles, e isso me motivava a seguir com a vida apesar de toda a tristeza que carrego comigo há alguns anos. 
Eu me identifico como uma pessoa inocente - digo, honesta. Eu não costumo fazer coisas erradas ou agir contrário à lei. Sou uma pessoa que dança conforme a música e eu até prefiro que eu seja assim. Porém tudo mudou quando eu conheci aquela pessoa... 
Ele era uma pessoa legal, apesar de sermos bem diferentes, mas ele gostava de algumas coisas que eu também gostava e isso talvez tenha ajudado a nos aproximar. Ele tinha uma aparência muito diferente do convencional, expressando muito sentimento só de olhar pra ele, mas eu acreditava que por dentro ele era igual a mim, então decidi juntar toda a minha coragem para conhecer essa pessoa melhor. Acho que foi aí que eu errei. 
Eu NUNCA fui de conhecer pessoas novas e NUNCA fui de chegar em alguém para fazer amizades pois sou tímido, introvertido e antissocial, que eu chamo de "a trindade do fracasso social", fora meus problemas de ansiedade, depressão e euforia. Apesar de tudo isso que eu falei, aparentemente essa pessoa pareceu gostar de minha companhia e aceitou minha amizade. O problema de tudo isso não foi eu. Eu tentei meu melhor, eu juntei coragem, eu tentei melhorar de vida, tentei conhecer uma pessoa nova e então eu consegui... Porém essa pessoa tem um estilo de vida completamente diferente do meu, fazendo com que eu me encontrasse em uma divergência social enorme, e fazendo com que eu entendesse um pouco mais sobre a vida real, afinal até então eu vivia dentro de uma bolha, achando que o mundo e as pessoas eram boas... que idiotice. 
Essa pessoa fazia várias coisas erradas e conhecia muitas pessoas que também faziam coisas erradas, então pode-se dizer que eu acabei sofrendo influência deles - ou talvez isso seja eu dando uma desculpa para minha falta de caráter e minha fraqueza perante esse tipo de situação, afinal eu nunca tinha visto ou feito alguma coisa errada antes e ver aquilo sendo feito pessoalmente era algo que fazia eu me sentir estranhamente curioso. Isso começou a ficar pior, porque eu comecei a me sentir um pouco preso a essa pessoa, pois ele era legal só que ao mesmo tempo fazia algumas coisas bem errada e eu sempre presenciava tudo o que acontecia, como se fosse um cúmplice silencioso. Eu não sabia como reagir, ele tinha uma personalidade muito forte e uma grande capacidade persuasiva. Como eu sempre fui fraco com isso, foi fácil de me meter nessa cilada. 
Aos poucos comecei a fazer essas coisas erradas com ele, começando com eu usando alguma droga inofensiva, depois roubando algumas coisas em lojas e indo cada vez mais a fundo nesse mundo que eu desconhecia, sem pensar em nenhuma consequência, sem tentar parar. E foi aí que tudo começou a desabar. 
Primeiro, cerca de três semanas atrás, meus amigos descobriram o que eu estava fazendo, descobriram que eu estava andando com essa pessoa e simplesmente se afastaram de mim no mesmo instante. Eu dou toda a razão para eles pois de fato, o que eu fazia não era certo e nem mesmo eu queria fazer essas coisas, mas era muito fácil para ele me convencer. Eu tentei correr atrás dos meus amigos, mas eles eram iguais a mim: mesmo que seja a primeira mancada, já era, então para resumir, eu fiquei sem amigos. Meus preciosos amigos... Eu tinha eles e minha família, mas a partir daquele momento eu passei a ter só a minha família, porém isso não durou muito tempo também. 
Uma semana e meia depois meus pais descobriram que eu estava usando drogas, pois eu cheguei muito mal em casa e isso deu um desgosto terrível para eles. Eu podia estar chapado, mas dava para ver o rosto deles expressando a decepção, o que fez eu me sentir muito mal, mas não desisti deles e também tentei correr atrás, pedindo desculpas e prometendo que aquilo nunca mais iria acontecer de novo, mas a confiança já havia acabado. O fato deles terem me visto daquele jeito os abalou muito e mesmo com eles tendo aceito minhas desculpas, me fizeram jurar que eu teria que parar de andar com aquela pessoa e que eu iria parar de fazer tudo isso, coisa que eu aceitei na mesma hora, pois eu não posso perder o amor e confiança de meus pais, porém eu ainda assim não consegui me afastar daquela pessoa. É como se ele tivesse algum controle sobre mim ou sei lá o quê. Talvez fosse atração pelo desconhecido ou algo assim. Talvez eu no fundo queria saber como é estar na pele de quem faz esse tipo de coisa. 
Lembro-me até hoje de quando minha mãe falou que chegaria um dia que eu iria ser preso por todas essas coisas que aquela pessoa estava fazendo, pois eu seria confundido com um cúmplice. Mal sabe ela que realmente eu fiz várias coisas junto com ele, mas não liguei para o que minha mãe disse e respondi ironicamente: "No pior dos casos, se eu for preso eu me mato!" e dei risada. Risada essa que eles nem sequer demonstraram reação, minha mãe apenas disse "Ai, ai..." e virou as costas para preparar o almoço. 
Os dias que se seguiram após esse acontecimento foram realmente um inferno pois sempre que eu chegava em casa eu era tratado como um estranho, como se eu fosse um usuário de drogas. Como se eu não fosse mais filho deles. Sempre olhando pra mim com um olhar de julgamento. Estava estampado nos olhos que eles estavam tentando ver se eu estava drogado ou não. Eu não estava mais me sentindo à vontade em minha casa. O pior é que eu de fato tinha parado de usar a droga mas eles não acreditavam mais em mim. A confiança tinha ido embora quando eles me viram chapado naquele dia. 
Bom... Sem amigos, sem família, apenas ele. Ele continuou me chamando para fazer aquelas coisas mas eu estava tão desanimado com tudo que comecei a recusar. É incrível o que a tristeza consegue fazer, pois eu já não tinha força de vontade de me afastar dele mas depois das coisas que tinham acontecido recentemente eu já estava tão triste que não queria fazer mais nada nem com ele, nem com ninguém, porém ele continuava insistindo. Uma coisa curiosa é que ele não se afastava de mim, como se ele de fato me quisesse como um brinquedo. Como se eu estivesse sendo útil para ele. Aos poucos, comecei a perceber que além de fazer coisas erradas ele também me menosprezava pois eu sempre fui transparente com minhas amizades e me abri totalmente a ele, contando meus pontos fortes, minhas fraquezas, coisas que eu gosto e não gosto, coisas que me deixam feliz e coisas que me deixam triste, etc. e ele ao invés de usar isso para ser um amigo melhor ou talvez para me ajudar a ser uma pessoa melhor, na verdade começou a usar isso contra mim através de ofensas ou indiretas, usando exatamente tudo o que eu tinha falado para ele, me atingindo em cheio no coração e na minha autoestima. Todo o sentimento bom que eu tinha por ele estava se esvaindo aos poucos e isso tudo só acabou quando aconteceu justamente aquilo que eu não acreditava que iria acontecer. 
Era um dia nublado, bem propício ao início de uma tempestade. Estávamos ele e eu andando na rua quando passou uma viatura da polícia que quando nos viu decidiu andar um pouco mais devagar, cada vez mais, até parar. Do nosso lado. Ele, esperto e acostumado com esse tipo de coisa, saiu correndo logo após a viatura parar, me deixando para trás, pois eu simplesmente paralisei de medo. Naquela hora eu vi o quão amigo ele era, simplesmente me deixando lá para ser enquadrado no lugar dele. Os policiais já saíram do carro em minha direção pedido para pôr as mãos na cabeça, coisa que eu demorei para fazer, pois eu não estava acreditando em tudo aquilo... 
Enfim levantei os braços e eles me revistaram. Levou alguns minutos e quando terminou, eles disseram: "Você tá limpo...", o que soou como um alívio para mim, porém em seguida, o mesmo policial disse: "...Mas você foi avistado furtando produtos numa farmácia com aquele sujeito que fugiu, então você vem com a gente", e colocou meus braços para trás para me algemar. 
Eu realmente não estava acreditando no que estava acontecendo naquele momento. Logo eu, estava mesmo sendo preso. E enquanto um policial preenchia alguns formulários, eu estava algemado com outro policial ao meu lado me observando, pois prometi que não iria resistir. Foi então que veio o desespero. Foi aí que eu fiz os questionamentos que escrevi no início desta história. Foi então que eu comecei a recapitular tudo isso que aconteceu na minha vida recentemente e entendi que a consequência era o que estava acontecendo ali. 
Sabe, eu não lembro exatamente quando que comecei a desenvolver essa minha depressão. Acredito que foi de uns quatro anos para cá, e depois disso eu fui perdendo amigos e oportunidades na vida aos poucos e as coisas começaram a ficar sem graça para mim. Eu não via mais a vida em cores, tudo para mim parecia estar em tons acinzentados pois mais nada para mim fazia sentido ou tinha cor e eu só vivia um dia após o outro. O que me fez sair desse poço de solidão foram meus antigos amigos e minha família que me apoiaram ao máximo e me fizeram ter uma motivação a mais: eles. E realmente eu estava começando a melhorar, tanto é que eu consegui ter um emprego, consegui ser promovido e inclusive tinha conseguido terminar a faculdade. Todas essas coisas boas que aconteceram me deram uma confiança a mais que me permitiram tentar fazer uma nova amizade por mim mesmo, juntando toda a coragem, toda a positividade que eu tinha justamente para isso. O problema é que eu fiz todo esse esforço, juntei toda essa coragem, toda essa positividade, para conhecer ele. Ele foi o início da minha queda. Ele foi a cereja do bolo. A gota d'água. Eu fiz todo esse esforço, dei o máximo de mim, tudo para perder meus amigos e minha família. Fiz todo esse esforço para perder todas as minhas motivações. Fiz todo esse esforço para perceber que a amizade dele não era amizade, que era tudo baseado em interesse, e no final nem ele mais eu tinha pois fui deixado aqui para que me prendessem e ele pudesse fugir. Eu fui usado do começo ao fim, mesmo entregando tudo de bom que eu tinha naquele momento a ele. E depois de entregar tudo aquilo, eu fiquei tão fraco e vazio que não pude mais ter controle de mim mesmo e comecei a fazer coisas que eu nunca pensei em fazer, tudo por impulso, tudo por causa dele, por causa de nossa amizade. Tudo por nada. Eu perdi tudo. Não sobrou mais nada, agora eu vou ser preso e só Deus sabe o que pode acontecer comigo na cadeia. Eu passei de uma pessoa honesta que estava melhorando de vida para um criminoso prestes a ser encarcerado. Tudo isso em apenas um mês. 
Num último lapso de desespero, me lembrei do que havia falado à minha mãe: "No pior dos casos, se eu for preso eu me mato", e tendo em mente que eu não tenho mais nada a perder e que eu iria sofrer ainda mais se aquilo continuasse, eu não tinha escolha. Eu tinha que fazer aquilo. Eu tinha que me matar. Mas como? Eu já estava à beira da loucura só de pensar que minha única escolha era morrer e fiquei mais fora de mim ainda quando entendi que eu ainda por cima teria que descobrir uma forma de me matar, pois talvez nem mesmo isso eu conseguiria fazer. Talvez poderia ser indolor, talvez eu iria sofrer muito antes de tudo acabar, as possibilidades estavam me deixando maluco e eu já estava me conformando que aquele era o fim. 
Eu estava numa calçada encostado de pé num muro com o policial do meu lado e a rua não estava muito movimentada, então pensei que talvez não haveria possibilidade de eu ser atropelado até que avistei um Uno antigo vermelho se aproximando. O motorista estava na faixa da direita e parecia estar um pouco distraído. Perfeito. 
Quanto mais o carro se aproximava, mais minha respiração ficava ofegante."Acabou", eu pensei, "Eu só preciso me lançar na frente do carro na hora certa e finalmente meu sofrimento vai acabar". 
Então chegou a hora. O carro estava há pouco menos de dez metros de mim. Usei o muro para dar impulso e me joguei de costas enquanto olhava nos olhos do policial, na esperança de que minha breve existência nesse mundo pudesse render ao menos uma história, e então fechei os olhos e esperei pelo pior... 
Ouvi o barulho do carro derrapando na pista tentando não me acertar em cheio, mas eu me joguei na hora certa então não havia como ele errar. Eu não iria sentir dor nenhuma. Eu iria ser estraçalhado e morreria na hora porém não foi isso que aconteceu. Ao invés disso eu senti minhas costas doerem e senti que torci os pulsos. Aos poucos, o barulho do freio do carro foi ficando cada vez mais alto até que simplesmente parou. Foi então que eu abri os olhos. Eu havia caído no chão, em cima de meus braços algemados, e então olhei para o lado. O pneu do carro estava há alguns centímetros de meu rosto. Dava para sentir o calor dele. Eu não consegui. Minha única chance de sumir desse mundo foi mal sucedida.
Então eu olhei para o céu, que antes estava nublado mas agora já estava limpo e azul igual à um dia de verão, e comecei a chorar.




...


E aí? Gostou deste conto? Ele foi feito por mim :D Eu escrevi ele numa tacada só enquanto eu tava numa bad uns dias atrás, e esta foi a razão de eu não ter postado nada recentemente. Só saibam que o blog não morreu, hein? U_U e eu também não estou 100% recuperado desta bad kkk na verdade, estou num dilema interno bem pesado, mas que quem sabe eu compartilhe isso com vocês no futuro, né? :')

Eu sei que o conto não tá perfeito, senti que faltou eu desenvolver melhor algumas partes e alguns personagens, mas a intenção era de ser um texto pequeno, que acabou ficando muito maior do que o previsto, então preferi deixar desse jeito mesmo e.e Eu pretendo escrever mais coisas no futuro, então isso já me serve de aprendizado.

Caso tenha alguma história parecida que você escreveu, ou caso esse texto tenha te inspirado de alguma forma, coloque aí nos comentários, adoraria saber o que vocês pensaram sobre o meu conto :D